Adoção de adolescentes e a construção do vínculo parento-filial

Autores/as

Palabras clave:

adoção tardia, adoção de adolescentes, vínculo parento-filial, família adotiva

Resumen

A adoção tardia, processo voltado para a adoção de crianças maiores de dois anos de idade e de adolescentes, é vista com estigmas e preconceitos. No caso da adoção de adolescentes, novas complexidades são adicionadas. O objetivo desta pesquisa foi compreender as percepções de pais e filhos sobre a construção do vínculo parento-filial no contexto de adoção de adolescentes. Neste estudo, de caráter qualitativo, exploratório e transversal, de estudos de casos múltiplos, participaram quatro famílias adotivas, sendo entrevistados os adotantes e o filho adolescente adotado. Os dados foram analisados por intermédio da Análise Temática. Os resultados apontaram o caminho percorrido pelos pais e pelos filhos durante a formação da relação familiar, passando pelo projeto adotivo, os desafios, as estratégias para lidar com esses desafios, as repercussões emocionais e as avaliações sobre o processo. O acolhimento e apoio dos pais para com os filhos, a participação da família extensa, a formação de espaços de proximidade e a avaliação positiva do processo adotivo foram importantes para o vínculo, exigindo esforços da dupla pais-filhos.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Biografía del autor/a

Ingrid Danielle de Jesus Bento, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Porto Alegre, RS, Brasil.

Psicóloga formada pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Membro do Núcleo de Estudos em  Saúde da Família (NESF) da UFCSPA.

Luciana Suárez Grzybowski, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Porto Alegre, RS, Brasil.

Psicóloga, Doutora em Psicologia pela PUCRS, com pós doutorado em Psicologia do Desenvolvimento pela UFRGS. Professora associada ao Departamento de Psicologia e professora permanente do Mestrado em Psicologia e Saúde da UFCSPA. Docente da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da ISCMPA/UFCSPA. Coordenadora do Núcleo de Estudos em Saúde da Família (NESF).

Citas

Alvarenga, L. L., & Bittencourt, M. I. G. (2013). A delicada construção de um vínculo de filiação: o papel do psicólogo em processos de adoção. Pensando Famílias, 17(1), 41-53. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-494X2013000100005&lng=pt&tlng=pt

Alves, J. R., & Hueb, M. F. D. (2022). Um estudo de caso sobre a adoção de uma criança mais velha. Revista da SPAGESP, 23(1), 71-86. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-29702022000100007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Araujo, A. I. S. F., & Faro, A. (2017). Motivações, dificuldades e expectativas acerca da adoção: perspectivas de futuros pais adotivos. Psicologia em Revista, 23(3), 790-810. https://doi.org/10.5752/P.1678-9563.2017v23n3p790-810

Assis, S. G., & Avanci, J. Q. (2004). O adolescente e sua família: prismas que constroem o ‘eu’. In Labirinto de espelhos: formação da autoestima na infância e na adolescência (pp. 81-128). Fiocruz. Recuperado de https://static.scielo.org/scielobooks/vdywc/pdf/assis-9788575413333.pdf

Baldessar, J. C., & Castro, A. (2019). Representações sociais da adoção tardia: a busca pelo filho ideal. Revista Multidisciplinar e de Psicologia, 13(47), 208-224. https://doi.org/10.14295/idonline.v13i47.1962

Barroso, R., Barbosa-Ducharne, & Coelho, V. (2018). Como é vivida a adoção na adolescência? Construção de um questionário de sentimentos relacionados com a adoção. Análise Psicológica, 2(36), 235-246. http://doi: 10.14417/ap.1376

Biassutti, C. M., & Nascimento, C. R. R. (2021). O processo de adoção na família monoparental. Journal of Human Growth and Development, 31(1), 47-57. http://dx.doi.org/10.36311/jhgd.v31.10364

Bicca, A., & Grzybowski, L. S. (2014). Adoção tardia: percepções dos adotantes em relação aos períodos iniciais de adaptação. Contextos Clínicos, 7(2), 155-167. https://dx.doi.org/10.4013/ctc.2014.72.04

Bowlby, J. (1995). Cuidados maternos e saúde mental. Martins Fontes.

Braun, V., & Clarke, V. (2019). Reflecting on reflexive thematic analysis. Qualitative Research in Sport, Exercise and Health, 11, 589-597. https://doi.org/10.1080/2159676X.2019.1628806

Costa, N. R., & Rossetti-Ferreira, M. C. (2007). Tornar-se pai e mãe em um processo de adoção tardia. Psicologia: Reflexão e Crítica, 20(3), 425-434. http://www.scielo.br/pdf/prc/v20n3/a10v20n3.pdf

Fernandes, M. B., & Santos, D. K. (2019). Sentidos atribuídos por pais adotivos acerca da adoção tardia e da construção de vínculos parento-filiais. Nova Perspectiva Sistêmica, 28(63), 67-88. https://dx.doi.org/10.21452/2594-43632019v28n63a04

Fiorott, J. G., Giacomozzi, A. I., Bousfield, A. B. S., Justo, A. M., & Sauer, A. D. (2021). Representações sociais da devolução na adoção: tensionamentos e estratégias possíveis. Estudos de Psicologia, 26(1), 68-81. http://pepsic.bvsalud.org/pdf/epsic/v26n1/a08v26n1.pdf

Gallarin, M., Torres-Gomez, B., & Alonso-Arbiol, I. (2021). Aggressiveness in adopted and non-adopted teens: the role of parenting, attachment security, and gender. International Journal of Environmental Research and Public Health, 18(4), 2034. https://doi.org/10.3390/ijerph18042034

Hueb, M. F. (2016). Acolhimento institucional e adoção: uma interlocução necessária. Revista da SPAGESP, 17(1), 28-38. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-294X2021000100008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. (1990). Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Presidência da República.

Lei n. 13.509, de 22 de novembro de 2017. (2017). Dispõe sobre adoção e altera a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente) e dá outras atribuições. Presidência da República. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm

Lima, B. G., Nácul, L. R., & Cardoso, N. O. (2020). A construção do vínculo parento-filial no processo de adoção tardia: uma revisão integrativa. Textos & Contextos, 19(2). https://doi.org/10.15448/1677-9509.2020.2.35601

Machado, L. V., Ferreira, R. R., & Seron, P. C. (2015). Adoção de crianças maiores: sobre aspectos legais e construção do vínculo afetivo. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, 6(1), 65-81. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2236-64072015000100006&lng=pt&tlng=pt

Machemer, R. S., & Frizzo, G. B. (2021). “Trigêmeos de Idades Diferentes”: a experiência da maternidade por meio da adoção de irmãos. Contextos Clínicos, 14(1). https://doi:10.4013/ctc.2021.141.03

Madalena, M., & Falcke, D. (2020). Maus-tratos na infância e o rompimento do ciclo intergeracional da violência. In M. L. M. Teodoro, & M. N. Baptista (Orgs.), Psicologia de família: teoria, avaliação e intervenção (2a ed., pp. 93-100). Artmed.

Melo, C. F., Carvalho, M. V., Monteiro, R. O., & Ramos, C. M. O. (2018). Nascem pai e mãe: a percepção dos pais sobre o processo de adoção tardia. Psicopedagogia Online, 1, 1-8. Recuperado de https://www.researchgate.net/publication/341446827_Nascem_pai_e_mae_a_percepcao_dos_pais_sobre_o_processo_de_adocao_tardia

Pasin, H. C. A., Fiorott, J. G., Hensel, B. P., Giacomozzi, A. I., & Bousfield, A. B. S. (2022). Grupos reflexivos sobre a adoção de crianças e adolescentes: temas emergentes. Revista da SPAGESP, 23(1), 14-29. https://doi.org/10.32467/issn.2175-3628v23n1a3

Paulina, E., Ferreira, L., Bobato, S. T., & Becker, A. P. S. (2018). Processo de vinculação afetiva de crianças adotadas na perspectiva dos pais adotantes. Boletim - Academia Paulista de Psicologia, 38(94), 77-86. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-711X2018000100008&lng=pt&tlng=pt

Peixoto, A. C., Giacomozzi, A. I., Bousfield, A. B. S., Berri, B., & Fiorott, J. G. (2019). Desafios e estratégias implementadas na adoção de crianças maiores e adolescentes. Nova Perspectiva Sistêmica, 63, 89-108. http://dx.doi.org/10.21452/2594-43632019v28n63a05

Pereira, F. M. S., & Menezes, H. C. B. (2016). A efetividade do direito à convivência familiar da criança e do adolescente à luz da lei de adoção. Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB, 12(1). http://dx.doi.org/10.4322/1980-0029.182014

Pinto, A. V., Cavalcanti, J. G., Araújo, L. S., Coutinho, M. L., & Coutinho, M. P. (2018). Depressão e adolescência: relação com qualidade de vida e bem-estar subjetivo. Revista de Psicologia da IMED, 10(2), 6-21. https://doi:10.18256/2175-5027.2018.v10i2.2752

Pordeus, M., & Viana, R. (2020). A estrutura do vínculo familiar na adoção tardia. Cadernos de Comunicação, 24(2). https://doi.org/10.5902/2316882X48523

Queiroz, A. C. A., & Brito, L. (2013). Adoção tardia: o desafio da garantia do direito à convivência familiar e comunitária. Textos & Contextos, 12(1), 55-67. https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fass/article/view/13161

Rinaldi, A. A. (2019). Adoção: políticas para a infância e juventude no Brasil? Sexualidad, Salud y Sociedad, 33, 273-294. https://doi.org/10.1590/1984-6487.sess.2019.33.13.a

Sampaio, D. S., Magalhães, A. S., & Féres-Carneiro, T. (2018). Pedras no caminho da adoção tardia: desafios para o vínculo parento-filial na percepção dos pais. Trends in Psychology, 26(1), 311-324. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2358--18832018000100311&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

Schettini, S. S. M., Amazonas, M. C. L. A., & Dias, C. M. S. B. (2006). Famílias adotivas: identidade e diferença. Psicologia em Estudo, 11(2), 285-293. http://www.scielo.br/pdf/%0D/pe/v11n2/v11n2a06.pdf

Silva, P. S., Silva, E. X. L., Lopes, R. C. S., & Frizzo, G. B. (2017). Diferentes configurações familiares de candidatos à adoção: implicações para os processos de habilitação. Estudos de Psicologia, 22(4). http://dx.doi.org/10.22491/1678-4669.20170042

Silva, P. S., Schwochow, M. S., Resmini, G. F., & Frizzo, G. B. (2020). Critérios para habilitação à adoção segundo técnicos judiciários. Psico-USF, 25(4), 603-612. http://dx.doi.org/10.1590/1413/82712020250401

Silva, P. S., Machado, M. S., Silberfarb, M. S., Machemer, R. S., Santos, A. T. R., Chaves, V. P., & Frizzo, G. B. (2022). (Re)construindo vínculos: Relato de experiência de um grupo de apoio à adoção. Revista da SPAGESP, 23(1), 175-190. https://dx.doi.org/https://doi.org/10.32467/issn.2175-3628v23n1a14

Só, L. (2018). As escolhas adolescentes. In C. Chazan, & L. Só (Orgs.), Vida adolescente: perspectivas de compreensão (pp. 25-36). Fi.

Winnicott, D. W. (2005). A família e o desenvolvimento individual (3a ed.). Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1965).

Wright, L., & Flynn, C. C. (2006). Adolescent adoption: Success despite challenges. Children and Youth Services Review, 28(5), 487-510. https://doi:10.1016/j.childyouth.2005.06.00

Yin, R. K. (2001). Estudo de caso: planejamento e métodos (2a ed.). Bookman.

Publicado

2024-01-16

Cómo citar

Bento, I. D. de J., & Grzybowski, L. S. (2024). Adoção de adolescentes e a construção do vínculo parento-filial. Revista PsicoFAE: Pluralidades Em Saúde Mental, 12(2), 57–74. Recuperado a partir de https://revistapsicofae.fae.edu/psico/article/view/430

Número

Sección

Artigos