Transtornos Mentais Comuns em Trabalhadores Feirantes de um Município No Interior Baiano
Palavras-chave:
transtornos mentais comuns, trabalhadores feirantes, trabalho informal, saúde do trabalhadorResumo
Resumo: Introdução: Os Transtornos Mentais e Comportamentais (TMC) emergem como uma questão de saúde pública de extrema relevância, especialmente dentre os trabalhadores feirantes dada as vulnerabilidades nas condições de trabalho. Objetivo: Identificar a prevalência de transtornos mentais comuns em trabalhadores feirantes e seus fatores associados quanto aos aspectos sociodemográficos, ocupacionais e de saúde. Metodologia: Trata-se de um estudo de corte transversal do tipo inquérito junto a trabalhadores feirantes do Mercado Municipal da cidade de Guanambi, localizada no alto sertão do estado da Bahia, fizeram parte da pesquisa, 61 trabalhadores feirantes. Os dados foram coletados por meio de dois instrumentos, o questionário sociodemográfico e ocupacional e o self reporting questionnaire (SRQ-20), para a avaliação dos transtornos mentais comuns. Estudo aprovado pelo CEP, protocolo 78009624.9.0000.0057. Resultados: A prevalência encontrada de transtorno mental comum, foi de 31,1% sendo maior em mulheres, com significância estatística (P= 0,001). Nenhum dos homens avaliados apresentou TMC. Dentre os sintomas relatados os principais foram: nervosismo, tensão ou preocupação, seguido por facilidade em se assustar e a insônia foi o sintoma somático mais predominante. Quanto ao decréscimo de energia vital, 41% relataram cansaço frequente e 31,1% disseram sentir-se cansados o tempo todo. Avaliando os pensamentos depressivos, 6,6% mencionaram ter tido ideias de acabar com a própria vida. Conclusão: Conclui-se que essa população apresenta uma significativa vulnerabilidade ao sofrimento psíquico, evidenciando a necessidade de políticas públicas voltadas à saúde mental dos trabalhadores feirantes.
Downloads
Referências
Aguiar, R. A., Riffel, R. T., Acrani, G. O., & Lindemann, I. L. (2022). Tentativa de suicídio: prevalência e fatores associados entre usuários da Atenção Primária à Saúde. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 71, 133-140. DOI: 10.1590/0047-2085000000379
Almeida, I. L. G. I. D., Duarte, A. C. M., Simões, M. L., Azevedo, D. S. D. S. D., & Alcantara, M. A. D. (2020). Fatores de risco para desenvolvimento de transtorno mental comum entre trabalhadores da saúde de Diamantina, estado de Minas Gerais. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, 18(3), 293-301. DOI: 10.47626/1679-4435-2020-574
Alves, R. M., Santos, E. G. D. O., & Barbosa, I. R. (2022). Fatores associados aos transtornos mentais comuns entre agricultores em um município de médio porte no nordeste do Brasil. Revista de Saúde Pública, 56, 74. DOI: 10.11606/1518-8787.2022056003522
American Psychiatric Association (APA). (2014). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Artmed.
Barros, M. B. d. A., Lima, M. G., Malta, D. C., Szwarcwald, C. L., Azevedo, R. C. S. d., Romero, D., & Gracie, R. (2020). Relato de tristeza/depressão, nervosismo/ansiedade e problemas de sono na população adulta brasileira durante a pandemia de COVID-19. Epidemiologia e Serviços de Saúde, 29, e2020427. https://doi.org/10.1590/S1679-49742020000400018
Bernardino, D. C. D. A. M., & Andrade, M. (2015). O trabalho informal e as repercussões para a saúde do trabalhador: uma revisão integrativa. Revista de Enfermagem Referência, 4(7), 149-158. DOI: 10.12707/RIV14049
Brasil. Ministério da Saúde. (2012). Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Conselho Nacional de Saúde. https ://conselho .saude .gov .br /resolucoes /2012 /Reso466 .pdf
Bravo, D. S., Gonçalves, S. G., Girotto, E., González, A. D., Melanda, F. N., Rodrigues, R., & Mesas, A. E. (2022). Condições de trabalho e transtornos mentais comuns em agentes penitenciários do interior do estado de São Paulo, Brasil. Ciência & saúde coletiva, 27, 4559-4567. doi: 10.1590/1413-812320222712.10042022
Carlotto, M. S., Barcinski, M., & Fonseca, R. (2015). Transtornos mentais comuns e associação com variáveis sociodemográficas e estressores ocupacionais: uma análise de gênero. Estudos e Pesquisas em Psicologia, 15(3), 1006-1026.
Carvalho, J.J., & Aguiar, M. G. G. (2017). Qualidade de vida e condições de trabalho de feirantes. Revista de Saúde Coletiva da UEFS, 7(3). DOI: 10.13102/rscdauefs.v0i0.1943
Carvalho, R. G., Maciel, R. H., Matos, T. G. R., & Aquino, C. A. B. (2020). Vivências de trabalho na informalidade: um estudo com feirantes de roupas na cidade de Fortaleza-CE. Psico, 51(2), e33744-e33744. DOI: 10.15448/1980-8623.2020.2.33744
Farias, M. D., & Araújo, T. M. D. (2011). Transtornos mentais comuns entre trabalhadores da zona urbana de Feira de Santana-BA. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 36, 25-39. DOI: 10.1590/S0303-76572011000100004
Figueredo, T. T., Ribeiro, E. D. S. B., Silva, L. A., Jesus Silva, R., & Rios, M. A. (2020). Transtornos mentais em trabalhadoras do estado da Bahia. Revista ComCiência, 5(6), 82-85. DOI: 10.36112/ issn2595-1890.v5.i6.p82-85
Goldberg, D. P., & Huxley, P. (1992). Common mental disorders: a bio-social model. Tavistock/Routledge.
Gomes, C. F. M., Junior, R. J. P., Cardoso, J. V., & Silva, D. A. (2020). Transtornos mentais comuns em estudantes universitários: abordagem epidemiológica sobre vulnerabilidades. SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool E Drogas, 16(1), 1-8. DOI: 10.11606/issn.1806-6976.smad.2020.157317
Gonçalves, D. M., Stein, A. T., & Kapczinski, F. (2008). Avaliação de desempenho do Self-Reporting Questionnaire como instrumento de rastreamento psiquiátrico: um estudo comparativo com o Structured Clinical Interview for DSM-IV-TR. Cadernos de Saúde Pública, 24, 380-390.
Guirado, G. M. D. P., & Pereira, N. M. P. (2016). Uso do Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20) para determinação dos sintomas físicos e psicoemocionais em funcionários de uma indústria metalúrgica do Vale do Paraíba/SP. Cadernos Saúde Coletiva, 24, 92-98. DOI: 10.1590/1414-462X201600010103
Huynh, T. B., Oddo, V. M., Trejo, B., Moore, K., Quistberg, D. A., Kim, J. J., Canseco, F.D., & Vives, A. (2022). Association between informal employment and depressive symptoms in 11 cities in Latin America. SSM-population health, 18, 101101. DOI:10.1016/j.ssmph.2022.101101
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2024). Guanambi. https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/ba/guanambi.html
Ludermir, A. B. (2005). Associação dos transtornos mentais comuns com a informalidade das relações de trabalho. J Bras Psiquiatr, 54(3), 198-204.
Machado, E. S., Araújo, T. M., de Sousa, C. C., Carvalho Freitas, A. M., Oliveira Souza, F. D., & Lua, I. (2022). Estresse ocupacional e transtornos mentais comuns: como atuam as estratégias de enfrentamento? Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, 20(2), 195-205. DOI: 10.47626/1679-4435-2022-680
Magalhães, V. D. S. M., Mota, A. A. F., Silva, P. L., de Souza, D. A., dos Santos, M. C. R., & Rios, M. A. (2019). Multimorbidade em trabalhadores açougueiros feirantes. Revista de Enfermagem do Centro-Oeste Mineiro, 9. DOI: 10.19175/recom.v9i0.3238
Mascarenhas, M. S. (2014). Aspectos psicossociais do trabalho e transtorno mentais comuns entre trabalhadores informais feirantes. [Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Feira de Santana]. Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações.
Maturino, M. M., Sousa, C. C. D., Moraes, L. G. D. S., Souza, D. S., Freitas, M. Y. G. S., & Araújo, T. M. D. (2024). Dimensões da pandemia de COVID-19: prevalência de transtornos mentais comuns em trabalhadores e trabalhadoras" invisíbilizados" da saúde e sua associação com estressores ocupacionais. Revista Brasileira de Epidemiologia, 27, e240039.
Monteiro, M. A. M., Orfanó, I. S., & Castro, R. I. V. (2021). Prevalência de transtornos mentais comuns em trabalhadores de restaurantes. Research, Society and Development, 10(3), 1-11. DOI: 10.33448/rsd-v10i3.13212.
Moreira, R. D. S. (2021). Epidemiologia e a categoria das raças: reflexões onto-epistemológicas. Cadernos de Saúde Pública, 37(6), e00133721. DOI: 10.1590/0102-311X00133721
Mota, C. A., Silva, A. K. L. D., & Amorim, K. (2020). Prevalência de transtornos mentais comuns em servidores técnico-administrativos em educação. Revista Psicologia Organizações e Trabalho, 20(1), 891-898. doi: 10.17652/rpot/2020.1.17691
Moura, R. C. D. D., Chavaglia, S. R. R., Coimbra, M. A. R., Araújo, A. P. A., Scárdua, S. A., Ferreira, L. A., ... & Ohl, R. I. B. (2022). Transtornos mentais comuns em profissionais de enfermagem de serviços de emergência. Acta paulista de enfermagem, 35, eAPE03032. doi: 10.37689/acta-ape/2022AO03032
Oliveira, G. F., Carreiro, G. S. P., Filha, M. D. O. F., Lazarte, R., & de Toledo Vianna, R. P. (2010). Risco para depressão, ansiedade e alcoolismo entre trabalhadores informais. Revista Eletrônica de Enfermagem, 12(2), 272-7. DOI: 10.5216/ree.v12i2.10354
Oliveira, M. E. T. D., & Carlotto, M. S. (2020). Fatores associados aos Transtornos Mentais Comuns em caminhoneiros. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 36, e3653. DOI: 10.1590/0102.3772e3653
Oliveira, F. E. S. D., Trezena, S., Dias, V. O., Martelli Júnior, H., & Martelli, D. R. B. (2023). Transtornos mentais comuns em profissionais da Atenção Primária à Saúde em um período de pandemia da covid-19: estudo transversal na macrorregião Norte de saúde de Minas Gerais, 2021. Epidemiologia e Serviços de Saúde, 32, e2022432. DOI: 10.1590/S2237-96222023000100012
Organização Mundial da Saúde (OMS). (2022). Mental Disorders. World Health Organization.
Organização Pan-Americana da Saúde. (2022, 17 de junho). OMS destaca necessidade urgente de transformar saúde mental e atenção. https://www.paho.org/pt/noticias/17-6-2022-oms-destaca-necessidade-urgente-transformar-saude-mental-e-atencao
Pereira, A. C. L., Souza, H. A., Lucca, S. R. D., & Iguti, A. M. (2020). Fatores de riscos psicossociais no trabalho: limitações para uma abordagem integral da saúde mental relacionada ao trabalho. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 45, e18. DOI: 10.1590/2317-6369000035118
Queiroz, P. D. S. F., Rodrigues Neto, J. F., Miranda, L. D. P., Oliveira, P. S. D., Silveira, M. F., & Neiva, R. J. (2023). Transtornos Mentais Comuns em quilombolas rurais do Norte de Minas Gerais, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 28, 1831-1841. DOI: 10.1590/1413-81232023286.15022022
Quemel, G. K. C., Da Silva, E. P., Conceição, W. R., Gomes, M. F., Rivera, J. G. B., & Quemel, G. K. C. (2021). Revisão integrativa da literatura sobre o aumento no consumo de psicotrópicos em transtornos mentais como a depressão. Brazilian Applied Science Review, 5(3), 1384-1403. DOI: 10.34115/basrv5n3-008
Ramos, G. S. L., & Silva, G. M. M. (2021). Transtorno mental e comportamental no estado de São Paulo: variações da mortalidade e morbidade de 2017 a 2020. In Colloquium Vitae, 13(2), pp. 12-18. DOI: 10.5747/cv.2021.v13.n2.v326
Rios, M. A., Nery, A. A., da Silva Santos, G., Junior, D. F. C., Pereira, M. S., dos Santos Teixeira, W., ... & Silva, L. A. (2022). Fatores associados à autopercepção negativa de saúde de trabalhadores feirantes de Guanambi/BA. Research, Society and Development, 11(6), e55711629394. DOI: 10.33448/rsd-v11i6.29394
Rouquayrol, M. Z., & Gurgel, M. (2017). Rouquayrol - Epidemiologia e saúde (8a ed.). MedBook Editora.
Santos, D. R., & Mesquita, A. A. (2016). Avaliação das condições de trabalho e sofrimento psíquico em camelôs. Revista Psicologia e Saúde, 8(2), 29-42. DOI: 10.20435/2177-093X-2016-v8-n2(03)
Santos, A. M. V. D. S., Lima, C. D. A., Messias, R. B., Costa, F. M. D., & Brito, M. F. S. F. (2017). Transtornos mentais comuns: prevalência e fatores associados entre agentes comunitários de saúde. Cadernos Saúde Coletiva, 25, 160-168. DOI: 10.1590/1414-462X201700020031
Santos, H. S., Nestor, A. G. S., Abreu, B. S., & Modesto, K. R. (2018). A utilização dos medicamentos psicotrópicos e seus fatores associados. Revista de Iniciação Científica e Extensão, 1(1), 51-56.
Sekaran, S., Selvaraj, V., Ganapathy, D., & Warrier, S. (2024). Inclusive mental health for informal workers. The Lancet, 403(10438), 1748-1749.
Silveira, L. B., da Rosa Kroef, C., Teixeira, M. A. P., & Bandeira, D. R. (2021). Uso do self-reportng questionnaire (SRQ-20) para identificação de grupo clínico e predição de risco de suicídio. Revista Psicologia e Saúde, 13(4), 49-61. DOI: 10.20435/pssa.v13i4.1219.
Soares, P. S. M., & Meucci, R. D. (2020). Epidemiologia dos Transtornos Mentais Comuns entre mulheres na zona rural de Rio Grande, RS, Brasil. Ciência & saúde coletiva, 25(8), 3087-3095.
Souza, M. B. C. A., & de Oliveira Lussi, I. A. (2020). Juventude, trabalho informal e saúde mental. Política & Trabalho, (51), 126-144. DOI:10.22478/ufpb.1517-5901.0v51n0.48293
Souza, M. B. C. A. D., & Lussi, I. A. D. O. (2022). Terapia Ocupacional e trabalho informal: reflexões para a prática. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, 30, e2901. DOI:10.1590/2526-8910.ctoAO21902901
Vasconcelos, E. F., Costa, A. K. B. D., Oliveira, G. D. V., & Pereira, K. L. (2023). Informalidade e vulnerabilidade psicossocial. Interações (Campo Grande), 24(3), 1073-1086. DOI:10.20435/inter.v24i4.4091